25 de jul de 2011

A missão de Jesus: nosso modelo ministerial



Dizem que cada pregador tem seu estilo de pregar e que deve-se, cada um, buscar o seu estilo. Não sou bom o suficiente para classificar estilos, tecnicamente falando. Sei quando um sermão é expositivo ou tópico, por exemplo. Pessoalmente, não sou muito preocupado com a forma do sermão, mas sim com o conteúdo, se é biblicamente focado, teológicamente correto, dentro dos padrões reformados, mas principalmente de é Teocêntrico e Cristocêntrico.


Para mim, o sermão é Teocêntrico quando ele reflete a soberania de Deus. E Cristocêntrico, quando ele revela a pessoa e a obra do Senhor Jesus em todo o contexto bíblico. Posso até estar sendo simplista, mas serve para mim!


Como já falei, estarei postando regularmente aqui, os sermões pregados no púlpito da IPP – Igreja Presbiteriana Paulistana. Hoje, tenho a alegria de postar mais um sermão. Este sermão foi pregado pelo Rev. Alderi, que tem uma característica muito importante, ele é recheado de informações históricas, o que nos coloca dentro do contexto da época, nos permitindo visualizar melhor os fatos da época. Tenho certeza que ele será de grande bênção para todos.
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                        A missão de Jesus: nosso modelo ministerial from IPP on Vimeo.
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Texto base: Lucas 4.14-22
Introdução 

  • O “vinde a mim” e o “ide” – nossa missão e o exemplo de Jesus. Passagem importante para Lucas: início de sua narrativa do ministério de Jesus (em Mateus, só no cap. 13; em Marcos, no cap. 6).
  • Jesus regressa à sua cidade, “onde fora criado” (2.39; daí , o “nazareno”) e onde vivia sua família (v. 22c,23c). Nazaré da Galileia era uma cidade populosa, situada num local estratégico. Se alguém subisse numa das colinas próximas, veria um fantástico panorama que relembrava a história de Israel: lá estava a planície de Esdrelom, onde Débora e Baraque haviam lutado, onde Gideão tinha alcançado suas vitórias, onde Saul havia sido derrotado e onde Josias tinha sido morto em combate; lá estava a vinha de Nabote e o local em que Jeú havia executado Jezabel; lá estava Suném, onde Eliseu tinha residido; lá estava o monte Carmelo, onde Elias tinha vencido os profetas de Baal; e ao longe, no horizonte, podia ser visto o Mar Mediterrâneo.
  • Chegado o sábado, Jesus foi à sinagoga dos judeus como era seu costume. A ordem de culto da sinagoga tinha os seguintes elementos: (a) recitação do Shema, acompanhada ações de graças e bênçãos; (b) oração, seguida do “amém” da congregação; (c) leitura de um texto do Pentateuco em hebraico, seguida de uma tradução para o aramaico; (d) leitura de um texto dos Profetas (com igual tradução); (e) sermão ou palavra de exortação; (f) bênção pronunciada por um sacerdote, seguida do “amém” (ou oração final). O dirigente ou chazzan (v. 20) convidava qualquer pessoa qualificada para falar. O leitor ficava em pé (v. 16) e o pregador, assentado (v. 20). Naquele dia, a escolha recaiu sobre Jesus, o ilustre filho da terra, que leu no “livro” (rolo) de Isaías. Grande expectativa.
  • A passagem lida por Jesus (Is 61.1-2) foi uma declaração ousada sobre sua pessoa e sua missão (v. 23-24). O texto apontava claramente para o seu ministério messiânico. Vejamos alguns aspectos desse ministério e as lições que eles contêm para nós:
Ministério dirigido e sustentado pelo Espírito Santo

  • “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu…” (18a). Uma característica de Lucas, tanto no seu evangelho quanto em Atos dos Apóstolos, é sua forte ênfase na atuação do Espírito Santo. No evangelho, ele se preocupa principalmente em mostrar a obra do Espírito de Deus na vida e no trabalho de Jesus. Em Atos, na vida da igreja.
  • Ele foi gerado pelo Espírito Santo (1.35); revestido pelo Espírito ao ser batizado (3.22); voltou do Jordão “cheio do Espírito Santo” e foi guiado pelo mesmo Espírito durante sua tentação de quarenta dias no deserto (4.1-2); por fim, regressou para a Galileia “no poder do Espírito Santo” (4.14).
  • Agora, com base na passagem de Isaías, Jesus afirma que todo o seu ministério dependia da unção do Espírito do Senhor que estava sobre ele. Essa é uma verdade solene e importante: Jesus Cristo, o Filho de Deus, nos dias de sua encarnação, precisou da assistência do Espírito Santo para realizar a obra, a missão, que o Pai lhe confiou. Daí, “Cristo” = “ungido”.
Ministério de proclamação

  • O seu trabalho é descrito com diversos verbos sinônimos: “evangelizar” (anunciar as boas novas), “proclamar” (libertação e restauração), “apregoar” (o ano aceitável do Senhor).
  • Jesus aponta, assim, para o seu ofício profético, como aquele que continuou e levou ao seu ponto culminante o ministério dos profetas de Deus na antiga dispensação. Usando a ilustração da “parábola dos lavradores maus”, Deus primeiro enviou seus profetas e por último o seu próprio Filho.
  • Daí a importância da palavra no ministério de Jesus (Lc 4.15,31s,43s). Ele era o “Verbo” de Deus e veio trazer aos homens a palavra de Deus, pela pregação e pelo ensino, palavra que revela, que instrui, que consola, que repreende, que julga, que transforma, que redime. Palavras e ações.
Ministério de compaixão e solidariedade

  • Sua obra messiânica se dirigia aos pobres, aos cativos, aos cegos e aos oprimidos, no sentido de libertá-los, de restaurá-los. É especialmente significativa a expressão final – “apregoar o ano aceitável do Senhor” – uma referência ao Ano do Jubileu, o ano qüinquagésimo (Lv 25.8ss), quando a trombeta devia ressoar proclamando liberdade para todos os moradores de Israel.
  • Essa libertação que Jesus veio anunciar era primordialmente espiritual – libertação das amarras do pecado, do egocentrismo, da rebeldia e ingratidão contra Deus. Mas havia também uma dimensão social, porque o pecado afeta os relacionamentos e produz injustiças e opressão.
  • Uma das ênfases do 3º evangelho é a atitude acolhedora de Jesus para com os sofredores, os marginalizados. Somente Lucas registra a ressurreição do filho da viúva de Naim, as parábolas do Bom Samaritano e do Filho Pródigo, as histórias do rico e Lázaro, dos dez leprosos e de Zaqueu, o publicano. Aqui mesmo em nossa passagem Jesus fala da viúva de Sarepta e de Naamã, o siro (simpatia pelos gentios). Daí a reação negativa dos presentes.
Aplicações

  • W. Hendriksen: “O cristão porventura não participa da unção de Cristo? Portanto, em certa medida, esses versículos expressam um mandato para os crentes”. Duas dimensões: o que Jesus fez por nós e o que devemos fazer.
  • Precisamos da unção e direção do Espírito Santo para realizar a obra que Deus nos tem confiado. No 4º evangelho, o Jesus ressurreto disse aos discípulos: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”. A seguir, soprou sobre eles, dizendo: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.21-22). A importância do Espírito Santo para a vida e a missão da igreja.
  • Precisamos ser proclamadores da Palavra, como Jesus, como os apóstolos, como os reformadores. Todos os períodos de revitalização da igreja foram precedidos e acompanhados da restauração da pregação bíblica.
  • Precisamos, como cristãos individuais e como igreja, ser instrumentos da graça e do amor de Deus na vida das pessoas. O evangelho não é uma mensagem social, mas tem implicações sociais. Ilustração do Avivamento Evangélico na Inglaterra.
O Senhor nos tem confiado um ministério. Que nós o realizemos seguindo as pegadas de Jesus: um ministério exercido sob o poder, o sustento e a direção do Santo Espírito; um ministério de proclamação da Palavra que dá vida e transforma; um ministério que expresse o amor de Deus pelos pecadores.
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Rev. Alderi Souza de Matos – Pregação feita em 24/07/2011 – IPP – Igreja Presbiteriana Paulistana.

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