11 de dez de 2009

Questões a se pensar sobre o Ministério Pastoral - final

jesus_o_pastor_com_as_ovelhas Nestes tempos difícieis que estamos vivendo, e vendo todo tipo de escândalos e absurdos protagonizado por “pastores”, “apóstolos”, “bispos” e “bispas” (como se essa palavra existisse), “missionários” e “profetas”, “anjos e arcanjos”, ainda existem muitos jovens que almejam o ministério pastoral.

Há mais ou menos 35 anos, eu estava participando de uma reunião de oração, de jovens, e na minha vez de orar, me lembro muito bem, eu orei ao Senhor com muita convicção e sinceridade, entregando minha vida para ser usada por Deus, como pastor. Desde a minha oração até a minha ordenação, passaram-se 24 anos.

Confesso que na época, não tinha noção clara do que eu pedia. Claro, não poderia imaginar quanta responsabilidade vem junto com a ordenação. Mas era o que eu mais almejava e era muito sincero. De igual forma, não podia se quer sonhar, que junto com a ordenação, eu experimentaria não só grandes dificuldades, mas muitas decepções e frustrações. Sobre isso, falo depois.

Eu não tinha pastores que sentaram comigo e me fizeram ver tudo isso. É por essa razão, que,  pensando em meus filhos e outros jovens, eu preparei uma “pequena” lista de perguntas para todos que almejam o ministério pastoral, refletirem com sinceridade sobre os seus sentimentos e a Palavra de Deus. Espero estar ajudando.

Para você que quer ser pastor
Quero fazer aqui, após esta introdução, algumas perguntas para que você possa refletir sobre os fundamentos de sua convicção ao chamado pastoral. A intenção não é questionar se você tem ou não o chamado, mas dar a você a oportunidade de se aprofundar em seus sentimentos sobre essa questão, e não tomar uma decisão baseada na emoção e vir a se arrepender depois. Ok?

  1. Como você define a função de um pastor?
  2. O que compreende o pastoreamento?
  3. Leia 1 Pedro 5:1-2; Atos 20:28, e medite nos textos a fim de descobrir o que os Apóstolos Pedro e Paulo queriam dizer sobre o chamado pastoral.
  4. Estude (sei que já o fez), com maior dedicação as atribuições do trabalho pastoral nessas passagens:
  • pastorear (Atos 20:28; 1 Pedro 5:2);
  • ensinar (Efésios 4:11-16; Tito 1:9);
  • ser modelo (1 Pedro 5:3);
  • presidir (1 Timóteo 5:17);
  • vigiar (Atos 20:31);
  • velar por almas (Hebreus 13:17);
  • guiar (Hebreus 13:17);
  • cuidar/governar (1 Timóteo 3:5);
  • ser despenseiro de Deus (Tito 1:7);
  • exortar (Tito 1:9);
  • calar os enganadores (Tito 1:9-11); Se souber de outras acrescente por conta.
    5.  Quero que reflita sobre as seguintes questões que qualificam um pastor:
  • Homem;
  • Casado;
  • Casado com uma só mulher;
  • Temperante;
  • Sóbrio;
  • Modesto;
  • Não dado ao vinho;
  • Não violento, porém cordato;
  • Inimigo de contendas;
  • Não avarento;
  • Pai de família;
  • Com filhos crentes;
  • Conhecedor da Palavra;
  • Hospitaleiro;
  • Respeitado por todos;
  • Irrepreensível;
  • Professor capaz;
  • Amigo do bem;
  • É quem sabe governar e bem a própria casa.
Tome por base: 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9, e responda com toda sinceridade após seu estudo:
  1. Estas qualidades são requerimentos exigidos pelo Senhor para um homem ser pastor?
  2. Na sua opinião, é possível um homem que é ordenado, ser ordenado sem cumprir todos esses    requerimentos? Se for realmente o caso?
  3. Na sua opinião, a igreja que ordena um homem sem essas qualificações, ou com parte delas, está respeitando a Palavra de Deus?
  4. Na sua opinião, o homem que se deixa ordenar, sem essas qualificações, ou parte delas, está agindo contra o Supremo Pastor?
  5. Estude, Isaías 3:14-15; Isaías 56:9-12; Jeremias 10:21; Jeremias 23:1-2; Jeremias 50:6. Reflita nestas passagens e trace um paralelo com os testos de Timóteo e Tito. Isto se você encontrar paralelo!
Com base no que temos visto, em meio a tantos maus exemplos de verdadeiros lobos, falsos profetas e aproveitadores da credulidade do povo, reflita nestas perguntas, desta vez, de cunho mais pessoal. Permita-me?
  1. Você sente ser capaz de amar as pessoas, e pensar sempre no bem delas?
  2. Você se sente capaz de ter cuidado por elas?
  3. Você seria capaz de negar‑se a si próprio por causa delas e a dar a elas tudo o que têm?
  4. Você é de fato um homem espiritual, ou simplesmente se comporta como um quando está na igreja ou em uma reunião de oração?
  5. Qual é a sua disposição em ouvir as pessoas? Você se sente capaz de só ouvir? De ouvir algo contra você sem se defender? Estude Atos 15, e diga que lições você aprende com esse capítulo.
  6. Você é gentil?
  7. Você é alguém quebrantado quando ouve as outras pessoas?
  8. Você é quebrantado na presença do Senhor? Para você, qual o valor do quebrantamento na presença do Senhor? E o que isso pode mudar e enriquecer o seu ministério pastoral?
  9. Você acha que o pastor deve ter autoridade ou ser autoritário? Já pensou como é que se alcança a autoridade?
  10. A autoridade está na investidura?
  11. Você se vê submisso ao Espírito Santo? Acha que isso é fundamental para o seu ministério e para a vida da igreja?
  12. Quando você prega, qual é a sua principal preocupação?
  13. Seja sincero, quando você prega, o que é que você quer mostrar? A sua capacidade de desenvolver um sermão bem feito, ou de suprir a necessidade do povo que está ouvindo?
  14. Neste sentido, como você escolhe o tema de seu sermão?
  15. Em uma demanda, você estaria apto a julgar uma situação? E, neste julgamento você confiaria em seus próprios juízos?
  16. Aquilo que consideras correto pode ser errado e aquilo que consideras errado pode ser correto. Portanto, quais seriam as bases para você julgar uma demanda?
  17. Você acha que já atingiu a maturidade necessária para ser ordenado pastor?
  18. Você está consciente do fato que as pessoas da Igreja são capazes de discernir se você é maduro suficiente para eles seguirem as suas decisões?
Finalizando:
  1. Qual o maior perigo que um pastor pode enfrentar em seu ministério?
Querido leitor, minha intenção ao passar-lhe esse “pequeno” questionário, não é o de desestimular ou esfriar o que está em seu coração. Mas é de fortalecê-lo em suas convicções.
Talvez, possa parecer demais, mas quisera eu, ter alguém que se preocupasse comigo e fizesse a metade disso para mim. Eu não tive.

E tenha a certeza que se fosse um dos meus filhos de sangue, o alvo desses questionamentos, seria o mesmo rigor. Até para minhas ovelhas, se às tivesse nesse momento, seria o mesmo rigor.
Quero chamar a sua atenção novamente, para as passagens escritas por Paulo a Timóteo e a Tito que em nenhum momento ali, fala-se sobre escolaridade, cursos superiores, cursos de teologia, diplomas, certificados de seminários, etc. Muitas igrejas têm colocado tais coisas como seus próprios requerimentos, deixando de lado as exigências de Deus.

Por isso minha preocupação está voltada não para a sua capacidade natural, que sei que tem de sobra, mas para a sua dependência à vontade e exigência que Deus faz de você e de todos os que almejam o episcopado. Assim como Ele está cobrando duramente o acerto na vida daqueles que já são pastores.
Leitor se quiser responder use o tempo que quiser e for necessário. Se desejar mostrar aos seus líderes, a fim deles avaliarem se esse material é valido ou não, tem toda liberdade.
Aprenda a ouvir seus líderes, sempre em submissão e em amor, como ao Senhor. Mas lembre-se, que os homens são falhos, a começar por mim!

Com amor,
Pr. Sergio Menga

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