20 de jan de 2010

Aprendendo a ouvir e a obedecer a Voz de Deus

Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos.2 Timóteo 1:6

biblia

“Por esta razão,...”, mais literalmente, “pela qual causa”, o Apóstolo, mestre e pai espiritual do jovem pastor Timóteo, inicia sua palavra de admoestação, ou como no grego se diz: anamimnesko”, “relembrar”, “por na memória”, ou numa forma mais simplista, “repreensão branda”, lembrando da fé sincera de seu jovem discípulo, fruto de sua herança cristã. Trata-se de um “piedoso lembrete”. Todos nós temos que ser lembrados da nossa herança e responsabilidade cristãs.

Paulo sabe muito bem, e talvez o próprio Timóteo o sabia, que a Fé não é uma herança! Mas sim uma chama que Deus acende na alma! É como se os anos de instrução e preparação de Timóteo para a consagração fossem a arrumação da lenha para a fogueira. E por ocasião do rito de consagração, Deus acende a fogo.

“Por esta razão”, Paulo o incentiva a ter mais cuidado em reavivar, o dom de Deus, que lhe fora confiado para servir.

“...reavives...”, no original é, “anadzopureo”, “reacender”, “reinflamar”. O fogo do zelo visto nos dons espirituais pode apagar-se, ou pode tornar-se embotado e ineficaz, se não tiver o cuidado no exercício apropriado dos mesmos, renovando-os sempre na dedicação ao Senhor Jesus Cristo. Todos os meios espirituais deveriam ser utilizados nesse constante “reavivamento”.
Coisa alguma é automática, na vida espiritual. Precisamos “abanar as brasas”, isto é, despertar nossos poderes, mediante o serviço ativo e espiritual, com base na comunhão com o Espírito Santo de Deus.
Veja aqui a declaração de Spence: “Está em nosso alcance, tanto o abafar o Espírito Santo como desperta-lO em chamas”.

Vou fazer aqui, uma alusão aos Azerbaijanis:

A República do Azerbaijão, que está localizada entre a Armênia e a Turquia, é uma nação formada por Turcos, na sua maioria, e por uma minoria formada de: Lezgin, Avar, Talysh, Kurdos, Tsakhur e Tat. Além de estrangeiros residentes, como: Russos, Armênios, Ucranianos, Tatar, Turcos, e Georgianos. Nação que originalmente fora evangelizada pelo discípulo Tomé, de onde até hoje permanece em pé uma igreja plantada por ele, segundo a tradição. 
Passou pelo ateísmo ao cristianismo, e mais recentemente, dominado pelo islamismo. Mas antes da chegada de Tomé, eles eram adoradores do fogo, sendo que até nos dias de hoje, estão de pé, os altares para o deus fogo, onde se mantinham acesas as suas chamas todos os dias. Caso elas se apagassem, cairia uma maldição sobre a nação e seriam dizimados. Tanto que os homens responsáveis por manterem as chamas acesas, eram severamente punidos se elas se apagarem.

Creio que até poderíamos usar essa história, para ilustrar que, se deixarmos apagar as chamas do Espírito em nossa vida, provocaremos uma situação calamitosa para o bem-estar espiritual, tanto nosso, pessoal, quanto da congregação em geral.

Portanto, não nos olvidemos, não nos descuidemos, em reacender as chamas eternas do Espírito Santo, em nosso íntimo, porquanto é essa chama que nos transforma segundo a imagem de Cristo – “Porquanto, aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de Seu Filho,... (Rm 8:29); conferindo-nos a plenitude de Deus – “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3:19); como também a participação na própria natureza divina – “pelas quais nos têm sido doadas as Suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.” (2 Pe 1:4).

Mas o que é esse fogo? Para que serve esse fogo?

Atos 1:8, nos responde claramente, e já muito tem sido explicado que mediante o derramar do Espírito Santo, temos sido revestidos de poder, para sermos testemunhas, não melhores homens e mulheres, não pessoas diferentes, apesar de que, tudo isso realmente ocorre por conseqüência, mas para sermos, testemunhas.

Neste poder que nos foi dado gratuitamente, que é para testemunhar, está contida, toda a providência de Deus para os Seus filhos, todo o sustento de Cristo para os Seus enviados, todo o respaldo do Senhor para se completar a obra em nossas vidas. Não recebemos esse poder, para guardarmos dentro de um “saco aflanelado”, para que seja protegido da ação da poeira, e ser tirado aos domingos, assim como fazemos com nossos sapatos! Não recebemos esse poder, para reivindicarmos nossos direitos de filhos, e exigirmos respostas às nossas orações.

O Senhor Jesus enviou o Espírito Santo para os Seus enviados! Ele não mandou para alguns poucos escolhidos dentre a multidão, capacitados intelectualmente, nem capacitados profissionalmente, e muito menos para torná-los tudo isso, mas Ele O fez pelos rejeitados, pelas coisas loucas desse mundo.

Você se sente humilhado, menosprezado ou mesmo revoltado por isso? Talvez, então, te falte a conversão!

Paulo continua a admoestação, ao “filho” Timóteo: “Porque Deus não nos tem dado Espírito de covardia, mas de poder, de amor e moderação.” – 2 Tm 1:7

Não será fácil, a qualquer que é escolhido, chamado, predestinado e enviado, manter seu fervor e conservando acesa a chama do Espírito, considerando-se os vários tipos de oposição, obstáculos e lutas, que somos forçados a enfrentar. Teremos de enfrentar lutas internas e externas; tendências pecaminosas de nossa própria natureza. Mas isso não é causa para sermos covardes, pois a provisão de Deus é adequada a todos nós.

Paulo cria profundamente na ‘conversão’, no voltar o rosto para um novo caminho. Mas, uma vez dado o primeiro passo, deve o filho de Deus insistir na árdua peregrinação, sem esquecer-se dos momentos de elevada visão e sua recompensa final. A vida cristã verdadeira e cheia do poder de Deus, ou Espírito de Deus, ou “pegando fogo”, deve ser uma vida de muita labuta, de árduo trabalho. “Deus não se alegra com os que vivem no lazer em Sião!” O Senhor não se agrada do preguiçoso.

Paulo fala em covardia, que no original é deilia, ou seja, “timidez”, “covardia”. A forma verbal, “deido”, significa “ter medo”. A forma adjetiva, significa “covardemente”; “indignamente”; “miserável”.

O filho de Deus não deve ser covarde, não deve ser alguém que desiste no meio do caminho, diante da primeira tentação, diante da primeira prova. Mas deve estar disposto a atirar-se na batalha espiritual, não poupando esforços afim de que seu ministério seja bem sucedido.

O Espírito Santo já nos equipou para essa luta em prol da fé. Não deixe a chama se apagar, viva constantemente acendendo a “pira”, mantenha iluminado o ambiente, a praça, a cidade. Seja fiel em buscar lenha, o combustível apropriado para alimentar o fogo. Seja honesto em reconhecer que sem o “fogo”, você não é nada!

Você sabe me dizer quais as propriedades do fogo? O fogo ilumina, e aquece. Certo?

É exatamente esse o princípio de Deus. Este fogo do Espírito está ai, para iluminar as nossas vidas no pleno conhecimento de Deus, e nos aquecer, nos dando conforto e segurança em meio às lutas. Mas, além disso, se temos esse fogo, essas chamas acesas dentro de nós, em nossa vida, são também para que elas sirvam de luz e proteção aos outros perto de nós.

Pense no morador de rua às 03:00 horas da madrugada, que é a hora da noite quando se atinge o ponto máximo de escuridão e frio. É assim que os perdidos se sentem, com frio e com medo.
Você sabe o que é “poder”, no Novo Testamento? É “dunamis”, que significa “força”; “poder”, “energia”. A mesma palavra que deu origem ao nosso conhecido, “dinamite”.

Você já se imaginou como um punhado de dinamite? Pense no estrago que você faria no reino do diabo! Que bênção seria se a partir de hoje, saíssemos daqui como “homens bomba” celestiais, contra as hostes espirituais.

Por mais terrível que seja a comparação, é assim que deveríamos estar nos sentindo. Por que devemos achar que Cristo ainda tem que lutar as lutas que nós deveríamos lutar? Ele não vai lutá-las por nós porque as maiores lutas já foram travadas e vencidas por Ele, a nosso favor.

Quando estudamos os personagens da Bíblia, logo percebemos que alguma coisa eles tinham em comum! Aqueles homens tinham a capacidade especial de ouvir a voz de Deus, não sei se audivelmente ou não. Creio que isso na verdade não importa, mas o que é mais importante para mim, é que eles eram “capazes”, de ouvir e obedecer imediatamente.

Vamos ver alguns exemplos:
  • NOÉ – Gn 6:13-22; 7:1-5 – (vs. 13), Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne,.... Imagine-se no lugar de Noé! Qual seria a sua reação diante de uma palavra como essa?
  • ABRÃO – Gn 12:1-5 – (vs. 1), Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei;. Imagine-se no lugar de Abrão! Você responderia à ordem do Senhor? Você seria capaz de largar tudo o que diz respeito à sua vida, sua existência, para empreender uma viagem não se sabe pra onde, nem por quanto tempo? Na verdade, Abrão fez uma viagem de 2.400 km, aproximadamente, apenas, impulsionada pela fé (Hb 11:8-10).
  • ABRAÃO – Gn 22:19 – (vs. 1,2), “...pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, ...oferece-o ali em holocausto...”. De quem você pensaria ser esta voz? E você obedeceria?
  • JOSÉ – De todas as vezes que teve que dar a revelação dos sonhos a seus senhores tendo apenas dois caminhos, revelar o sonho correndo, ou não conseguir dar a revelação correta e ser morto. Qual teria sido a sua reação diante deste dilema?
  • MOISÉS – Imagine-se no cume de um monte, diante de um arbusto em chamas, e ouvindo vozes! Uma voz que dizia ser o Deus de seus antepassados, falando que ele, um refugiado, seria o instrumento para a libertação de toda a nação de Israel! Talvez eu até me venha à mente que o sol havia torrado o meu cérebro!
  • JOSUÉ – Js 6:2-5 – (vs. 2) “Então, disse o Senhor a Josué: Olha, entreguei na tua mão a Jericó, o seu rei e os seus valentes. ...rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. ...no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, ...os sacerdotes tocarão as trombetas. ...todo o povo gritará com grande grita; e o muro da cidade virá abaixo,...”. Você teria coragem de se colocar diante dos seus generais, soldados e os homens religiosos, e dar essas instruções, a fim de conquistar a temível cidade de Jericó?
Soli Deo Gloria

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