13 de abr de 2010

A PEDRA ANGULAR

5e30d8223f“Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber. Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular,” – Jó 38: 2-6
A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular; isto procede do SENHOR e é maravilhoso aos nossos olhos.” – Sal. 118:22,23 (texto repetido por Jesus em Mt. 21:42).

Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.” – Atos 4:11

Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular “ – 1 Pedro 2:6,7


PEDRA ANGULAR - pinnah – Significa: “Canto, Chefe ou Bastião”, esta palavra é utilizada em duas formas: “canto” de objetos quadrados; e, “canto” de chefe. 

O que quer dizer o seguinte: Quando os construtores iam começar a construção de um prédio – dessa forma foi construído o templo em Jerusalém – eles pegavam duas grandes pedras, a aparelhavam de tal forma a possuírem ângulos perfeitamente retos e precisos, daí uma delas era separada ou rejeitada, e a outra pedra escolhida era colocada como sendo a primeira pedra da construção, da qual, todo o prédio era levantado.

Ao final da obra, aquela pedra que originalmente fora rejeitada, é colocada no topo, no final da construção. Se no caso, dela se encaixar de forma precisa no canto, entre todas as demais, este seria o sinal de que a obra estava perfeita, caso contrário, toda a obra seria rejeitada. 

Jesus é esta última pedra, aquela que no início fora rejeitada pelos construtores, mas que no final, tornou-se a principal pedra de toda a construção.

As Escrituras revelam o Senhor Deus como o sábio construtor, aquele que mui sabia e poderosamente, estabeleceu os fundamentos da terra e de todo o universo. Ele mesmo se revela como sábio construtor a Jó, para quem faz perguntas relativas ao seu infinito poder, e faz uma revelação importantíssima pois como sabemos, Jó era contemporâneo de Moisés, Deus revela Seu filho, Jesus Cristo, como a pedra angular, nesta construção.

Tomando este texto de forma isolada, ficamos sem autoridade para asseverar isto, mas caminhando por alguns séculos à frente, encontraremos nas Escrituras, a confirmação desta revelação tão maravilhosa. No primeiro capítulo de João, verso 3 temos: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” Agora sabemos que o Senhor Jesus Cristo, é a pedra angular na construção de todas as coisas.

Mas as Escrituras revelam também, que Jesus Cristo foi colocado como a pedra angular de algo ainda maior. Muito maior que o mundo, ou mesmo o universo, Jesus é a pedra angular de algo que prefigura o próprio reino de Deus.

Aqueles homens no qual originalmente haviam recebido a incumbência de apresentar ao mundo o Deus verdadeiro, rejeitaram o fundamento daquilo que eles defendiam até a morte, que eram as leis de Deus. Eles se esqueceram daquela pedra fundamental, e passaram a edificar em cima de outros fundamentos, como a tradição, o preconceito e o orgulho.

Pois bem, Jesus veio ao mundo a fim de revelar a Deus, e estabelecer Seu reino entre os homens, e para isso, Ele, Jesus, deixa clara a necessidade de se destruir o templo – “Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruireiJo. 2:19 – pois Ele próprio o reedificaria em apenas três dias.

Jesus não falava em termos materiais, Ele não estava falando em termos de construção em si, do templo que durara cerca de 40 anos para ser erguido, mas Ele falava em termos simbólicos. 

O povo judeu era um povo orgulhoso pela sua história, ainda que eles se esquecessem do quanto tinham se desviado de Deus. O seu orgulho estava sustentado no fato de terem sido eles, o povo escolhido de Deus para serem o depositário da Sua Palavra (Rm. 3:2), mas eles foram os primeiros a se desviarem dela. Jesus lhes falava do orgulho, da vaidade de seus corações e da segurança que tinham em suas tradições, Jesus lhes falava que em apenas três horas tudo aquilo em que eles se orgulhavam e se apoiavam, seria destruído por eles mesmos, e que seriam necessários apenas três dias para se reedificar, não um templo; ou uma organização; ou uma nação; ou uma nova estrutura de leis, normas e condutas, mas o “símbolo” do Reino de Deus sobre a terra. Este que teria a grande incumbência de trazer a restauração de todas as coisas, este símbolo é a IGREJA.

Agora, edificados n’Ele, a pedra angular.

Que grande mistério este, a IGREJA! Mas o que é a Igreja? Como ela pode ser o símbolo do Reino de Deus? E como ela traria a restauração de todas as coisas?

O que é a IGREJA? 

Em termos gerais, a Igreja é a reunião dos santos eleitos de Deus, alcançados pela Sua graça, em todas as eras passadas, no tempo presente, bem como no tempo futuro. Ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que enche tudo em todas as coisas (Ef. 1:23). A Igreja não é um prédio, e nem está limitado a ele, a Igreja é um corpo, formado por todas as juntas, que sãos todos os santos reunidos em amor e em perfeita harmonia, sob a ordem da Cabeça, que é Cristo.

A Igreja não é um separadamente do outro, mas é um todo formado por cada parte ou cada um de nós. Ela não depende de mim ou de você, ou de qualquer pessoa para existir ou permanecer presente no mundo, mas cada um de nós, temos uma função clara e definida pela Cabeça, aquele por quem o corpo depende e vive. Ninguém faz parte da Igreja por livre e espontânea vontade, ou por força de quem quer que seja, mas somos introduzidos nela pela livre e soberana vontade de Deus. Da mesma forma, ninguém, pode ou poderá ser, em qualquer tempo, excluído d’Ela, da mesma forma como não podemos rejeitar, ou abrir mão, de qualquer parte do nosso corpo, sem o sofrimento do restante.
João Calvino diz em suas Institutas, vol. IV, que: Onde quer que vemos a Palavra de Deus ser sinceramente pregada e ouvida, onde vemos serem os sacramentos administrados segundo a instituição de Cristo, aí de modo nenhum se há de contestar, está a Igreja de Deus

Como Ela – A Igreja – pode ser o símbolo do Reino de Deus? 

A promessa de Pentecostes é a de que o Espírito Santo seria derramado sobre os cristãos, tornando-os testemunhas vivas de Jesus Cristo por toda parte onde fossem, “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” - Atos 1:8.

A promessa se cumpriu e, no dia de Pentecostes, a Igreja de Cristo tornou-se então capacitada para viver e dar testemunho de Cristo com graça e poder. O Cristo histórico já não se encontra mais presente no mundo; quem se encontra presente no mundo é Sua Igreja, e é por meio dEla que o mundo haverá de conhecer a Cristo e contemplar Sua presença. No entanto, não podemos ser testemunhas de Jesus Cristo sem que Sua presença se manifeste em nós por meio do Seu Espírito. Isso é Pentecostes. É o Espírito Santo nos habilitando a viver a “Nova Vida”, a nova humanidade que Jesus inaugura e que permitiu ao Apóstolo Paulo afirmar: “Não mais eu, mas Cristo vive em mim” – Gl. 2:20.

Encontrar alguém cuja vida espelha a vida de Cristo, que manifesta Sua glória, é uma experiência incomum. Ver numa outra pessoa o rosto de Deus é algo que toca no mais profundo do nosso ser e provoca as reações mais inesperadas. Foi assim que aconteceu com as pessoas que conviveram com Jesus. Ninguém, ao encontrar-se com Ele, saiu o mesmo – ou se aproximava mais dEle, ou se afastava, pois Ele foi a mais perfeita e completa expressão visível de Deus. O autor da carta aos Hebreus 1:3, afirma o seguinte acerca de Cristo: Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser...”, mostra que olhar para Cristo é olhar para Deus, que conhecer a Cristo é conhecer a Deus, que ser recebido por Cristo é ser recebido por Deus.

Mas, como já falamos, o Cristo histórico não se encontra mais presente no mundo, quem se encontra presente é a Sua Igreja, e é através dEla que os homens vão contemplar a Cristo, quando fielmente, por meio do Seu Espírito, procura dar testemunho do Seu Senhor em obediência, e amor – ,”E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” – 2 Co 3:18

... Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” – Jo. 8:12

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;” – Mt. 5:14

Como Ela traria a restauração de todas as coisas?

Houve um episódio na vida de Jacó que nos mostra de que forma a Igreja restauraria ou cooperaria para a restauração das coisas. A vida de Jacó é marcada por uma grande arena em que ele passa a maior parte de sua vida imerso em terríveis batalhas espirituais e emocionais (Gn. 25). Ainda no ventre materno, ele luta com seu irmão gêmeo Esaú e, mesmo depois de nascer, continua tentando enganá-lo.

Esta disputa constitui a marca de sua vida, e seus pais entram nela. Isaque fica do lado de Esaú e Rebeca, do lado de Jacó. Toda vez que a família estimula a competitividade entre os seus membros, o risco da sabotagem e do engano estará sempre presente. Jacó cresce lutando e competindo com Esaú, e percebe que seu maior trunfo seria conquistar o direito de primogenitura que lhe daria a liderança do clã. Rebeca também percebe que este é o melhor caminho para promover o filho rejeitado pelo pai e procura estimular e articular um plano para enganar seu marido e possibilitar que seu filho Jacó receba as palavras de bênção que, por direito, deveriam ser dirigidas a Esaú.

Jacó e sua mãe são como muitos crentes que usam qualquer artifício para tentar manipular a Deus e receber alguma bênção. A bênção que Jacó mais queria era aquela que faria dele o herdeiro da liderança do povo depois da morte de seu pai. E, assim, ele e sua mãe executam seu plano e aproveitam da fraqueza de Esaú e Isaque para levar Jacó a receber as palavras de bênção do pai. Percebendo que seu futuro foi destruído por uma mentira, Esaú faz um voto de vingança. Promete que mataria Jacó logo depois da morte de seu pai. Temendo pela vida de Jacó, Rebeca o envia para bem longe, para o norte da Mesopotâmia, para a terra de seus parentes.

Jacó conviveu com Labão, seu tio, que como ele, era esperto e enganador. Jacó teve que lutar mais uma vez para encontrar um futuro para si. Durante o tempo em que esteve com Labão, ele se casou com duas de suas filhas, Lia e Raquel, e, com elas e muitas outras concubinas, teve vários filhos. 

Depois de trabalhar por muitos anos para Labão, Jacó recebe o chamado de Deus para voltar à terra de Canaã. Antes, porém, Deus revelou em sonhos que ele, e não Esaú, seria o sucessor de Isaque.

Abraão fez este mesmo trajeto sem saber o que o esperava. Com Jacó foi diferente: ele sabia exatamente o que o esperava, sabia que seu irmão Esaú havia jurado matá-lo. O medo de Jacó encontrar seu vingativo irmão beira o pânico, principalmente quando fica sabendo que seu irmão está marchando até ele com 400 homens. Jacó, esperto e astuto como sempre, prepara suas armas. 

Primeiro, divide seu grupo em dois bandos, incluindo os animais. No caso de um ataque, pelo menos um dos bandos teria chance de fugir. Segundo, como todo astuto, manipulador e enganador, ele ora a Deus para livrá-lo de Esaú e o pressiona, lembrando-o de suas promessas e, finalmente, envia numerosos presentes a Esaú, numa tentativa de amenizar sua ira. Jacó permanece atrás dos presentes e do povo.

Aqui temos a anatomia de um enganador. O sentimento de rejeição por parte do pai, a inveja do seu irmão e a ambição louca e desmedida da mãe fizeram de Jacó uma vítima de sua própria mentira. Passou toda sua vida fugindo e conquistando seu espaço através de manipulações e mentiras. Foi uma pessoa marcada pela desconfiança e medo porque, até então, nunca havia provado o significado de ser amado e aceito. Toda sua imagem de Deus havia sido maculada pelas suas ambições e as de sua possessiva mãe.

Jacó prepara-se para o encontro com seu irmão. Sem dúvida, será um encontro decisivo. Suas expectativas são as piores. Ao ver seu irmão aproximar-se com 400 homens, coloca suas esposas, filhos e servos à sua frente como o escudo de um covarde amedrontado e, ele mesmo, prostra-se por sete vezes. Quando Esaú o viu, depois de muitos anos, correu ao seu encontro, o abraçou e beijou, e ambos choraram. Esaú pergunta pela família, pelos meninos, como quem revê com saudades um grande amigo. A ira de Esaú já havia passado; no entanto, o medo de Jacó a conservou consigo.

Neste momento, ocorre aquilo que afirmamos ser a forma como a Igreja trará a restauração de todas as coisas: Jacó olha para o rosto do irmão e afirma: “Vi o teu rosto como se tivesse contemplado o semblante de Deus” - Gen. 33:10. Foi o rosto de Esaú, seu abraço e seu beijo afetuoso que desarmaram os preconceitos e expectativas mesquinhas que Jacó abrigou durante anos em sua alma doente. É na semelhança de Deus no rosto, na vida, e na atitude, da ação, do abraço e do beijo, que possibilita a restauração e transformação das nossas perversidades em novos caminhos de promessa e graça. Foi o abraço de Esaú que possibilitou a Jacó experimentar pela primeira vez o amor, o perdão e a misericórdia sem precisar negociar para recebê-los. Foi o abraço de Esaú que convida Jacó para seguirem juntos como amigos, e não como inimigos.

Esta história é a versão do filho pródigo no Velho Testamento. Somente o amor, o abraço e o perdão do pai foi capaz de redimir uma história de tragédia, mentira e fracasso. Foi o abraço do pai que possibilitou o resgate da dignidade da pessoa, que criou um lugar onde o amor pudesse ser experimentado e a comunhão com Deus ser celebrada.

Em nossas igrejas e comunidades, encontramos todos os dias homens e mulheres que estão procurando voltar para casa. Todos com medo da vingança, do julgamento, da rejeição, da indiferença. Todos se armam como podem, escondem-se atrás das mais diferentes barricadas. Mandam sinais, presentes, mostram força e poder, intimidam e ameaçam, mas, no fundo, querem apenas receber um gostoso e amoroso abraço de alguém que ama e que tem, por muitos anos, esperado por este momento. Ver no rosto do outro o rosto de Deus é provar a graça perdoadora de Deus nos encontros do dia-a-dia.

Jesus não se encontra mais presente em carne, mas, se encontra presente o Seu corpo espiritual, que é a Sua Igreja, que cheia do Espírito Santo, manifesta no olhar, no abraço e nas palavras cheias de verdade e amor a presença transformadora de Deus. É o rosto de Deus contemplado no olhar brando e amoroso, é a presença de Deus sentida no abraço terno e afetuoso de quem tem provado do próprio Deus graça e perdão, que poderá desarmar o espírito manipulador, enganador e amedrontado de muitos que, receosamente, caminham em direção ao encontro com Deus.
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2 comentários:

Paulo Brasil - Atraves das Escrituras disse...

Pastor Menga,

bendito seja nosso Deus que trata com misericórdia pessoas como Jacó (Israel).

A hitória de Jacó é muito semelhante a própria história da nação de Israel que recorre a ardis seculares para se manter viva e próspera.

Obrigado pelo texto.

Em Cristo.

Pastor Menga disse...

É verdade.
Temos muito que aprender com seu exemplo!

Obrigado por seu comentário.

Um forte abraço.